Hello hello :)
Faz hoje uma semana que vos escrevi um post a dizer o quão triste o 2 de novembro é para mim mas pouco adiantei e gostava de falar um pouco sobre isso...
A minha avó faleceu no dia 02-11-2000, tinha eu 9 anos, era uma criança. Lembro-me como se fosse hoje como a minha mãe ficou triste, como chorou, como a cara dela mudou... Eu, quis ir ao funeral, quis porque sempre fui uma miúda decidida e não queria deixar passar a oportunidade de me despedir da minha avó, mesmo que na altura nem tenha sabido bem o que era isso... Lembro-me de no final da missa a minha mãe me ter perguntado se queria dar um último beijinho à avó e eu, corajosa que sou, não quis... Tive medo, pensei vou dar um beijo à minha avó e ela não reage e isso assustou-me. Era uma criança! Hoje em dia arrependo-me tanto de não lhe ter dado aquele beijinho, mas não tinha sequer a noção que não a voltava a ver. Pobre inocência.
Já passaram 16 anos desde que ela partiu é mesmo ao fim de 16 anos relembro a voz dela, relembro como ela recebia toda a gente bem em casa, como me preparava as castanhas cozidas que eu tanto gostava (e que nunca mais voltei a comer porque não sabem às da minha avó), como era carinhosa comigo e com os meus primos (Filipe e Cátia)... Lembro-me de tudo tão bem e com um sorriso enorme no rosto.
Apesar de tudo eu odeio ir ao cemitério, é algo que me faz recordar os dias tristes que a minha vida já teve (os funerais dos familiares). Quando a minha mãe vivia no país ia todas as semanas assear a campa da minha avó, mas desde que foi viver para fora que ninguém vai lá, nem mesmo eu, porque simplesmente em 9 irmãos que a minha mãe tem ninguém se preocupa é eu não me sinto bem em ir ao cemitério.
Apesar de estar fora, todos os dias 2 de novembro a minha mãe pedia a alguém da família para ir lá assear a minha avó.
Este ano a minha mãe pediu-me a mim para ir lá e eu, não consegui recusar, claro. Odeio ir lá sozinha mas desta vez tinha de ser.
Fui às flores durante a tarde e lá fui ao cemitério, por volta das 16h, hora que calculei que estivesse vazio ou sem ninguém ou com pouca gente pois uma hora depois, mais ou menos, seria noite. Entrei e estavam 2 senhoras no cemitério (enorme), enchi o recipiente da agua, apanhei um paninho e dirigi-me à campa da minha avó. Mal cheguei junto dela os meus olhos encheram-se de lágrimas, mal olhei para a foto dela foi inevitável, chorei, chorei muito... Estava toda a tremer, nervosa, agitada e a chorar. Foi a primeira vez em 16 anos que fui sozinha à campa da minha avó. Desembrulhei as flores novas, retirei umas secas que lá estavam (que não faço ideia quem colocou) e comecei a decorar a jarra da melhor maneira que consegui, com muito carinho mas com muita falta de jeito própria de quem nunca o tinha feito. Enquanto fui arranjando a jarra fui chorando, fui pedindo à minha avó que me ajudasse, que ajudasse a minha família e sobretudo que protegesse as minhas mães e não as deixasse partir cedo porque eu não ia aguentar... Inconscientemente falei com a minha avó e entre lágrimas e tremores senti-a ali comigo...
Foi dolorosa esta minha ida ao cemitério mas neste momento sinto necessidade de voltar lá com mais frequência. Talvez esta semana ainda volte lá.
Desculpem o desabafo...





























